O Chicago Bears tem um novo head coach, como já foi anunciado há algumas semanas. Matt Nagy chega ao time de Illinois com uma grande responsabilidade de alavancar uma grande franquia de volta para as vitórias. Depois de três anos com John Fox, o Bears tinha um ataque marcando em média menos de 20 pontos por jogo, por isso Ryan Pace buscou um técnico de mentalidade ofensiva para resolver estes problemas. Mas afinal, o que Matt Nagy traz para o ataque do Chicago Bears?

Nagy jogou como QB na universidade de Delaware e desde que entrou na NFL como técnico, tem acompanhado Andy Reid como assistente, começando nos Eagles assumindo cargos menores, até ocupar o cargo de coordenador ofensivo em Kansas City. Pode-se dizer que Nagy aprendeu com um dos melhores e ajudou a desenvolver um conceito de ataque que teve bastante sucesso na temporada passada. Foi a primeira vez na história da NFL que um time teve um QB com pelo menos 4 mil jardas lançadas, um RB com pelo menos mil jardas terrestres, além de um wide receiver e um tight end com no mínimo mil jardas de recepção cada.

O novo técnico do Chicago Bears chega com algumas peças interessantes para seu estilo de jogo, como Jordan Howard e Tarik Cohen, que fazem um backfield muito dinâmico, além de um TE promissor como Adam Shaheen e o QB Mitch Trubisky, que Nagy mostrou bastante interesse no draft do ano passado.

Matt Nagy tem como base em seu ataque a west coast offense, um estilo de ataque que prioriza passes curtos, distribuindo bastante o jogo entre os recebedores, para que estes ganhem jardas após a recepção. Com isso, Nagy usa bastante a formação shotgun, que é uma vantagem para Trubisky, pois ele jogava em uma spread offense em UNC e está acostumado a este tipo de formação. Além disso, Jordan Howard vai receber ajuda, pois ele foi o melhor running back correndo no shotgun em 2016 e teve dificuldades ano passado enfrentando boxes lotados em quase todos os snaps, já que Chicago não tinha um jogo aéreo perigoso.

A jogada abaixo mostra um pouco como Jordan Howard será ajudado. A formação é uma shotgun, a base do ataque, fazendo com que a defesa adversária se espalhe para cobrir mais áreas do campo, devido o número de recebedores na jogada. Quando o snap ocorre, o TE abre e a defesa se confunde achando que haverá um passe rápido na rota flat, enquanto o left guard faz um pull e abre espaço para uma corrida pelo meio.

Uma ideia parecida é usada novamente nesta outra jogada, fazendo com que a defesa se preocupe com um passe rápido para o lado na linha de scrimmage, tirando a atenção no meio e facilitando a infiltração do running back.

 

Um conceito bastante usado por Nagy em Kansas City era a run-pass-option (RPO), onde o quarterback faz a leitura durante a jogada e toma a decisão se será uma corrida ou um passe dependendo da movimentação da defesa. Quando os defensores se aproximam da linha para defender contra a corrida, o signal caller faz a leitura e busca um passe rápido. Caso a defesa se prepare para o passe, o QB faz o hand off para o running back. Neste lance Alex Smith faz a leitura da defesa no pós snap e vê como os linebackers se movimentam visando parar a corrida, então ele procura o recebedor aberto na lateral.

 

A RPO é muito utilizada e de formas diferentes. Nesta é possível ver como Smith faz a leitura e vê que a defesa adversária foi atrás de Kareem Hunt, com isso Smith corre para o lado, mas ao ver que o espaço pelo meio ainda é coberto pelo ILB, há uma terceira opção, que é o passe para o TE Travis Kelce, que conta com bloqueios para conseguir o avanço.

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Para chamar screen pass, Nagy também consegue ser muito criativo e é capaz de confundir as defesas. Um bom exemplo disso é esta jogada onde a defesa é enganada duas vezes, primeiro achando que seria uma corrida de Kareem Hunt, depois Alex Smith finge um screen para Tyreek Hill, que chama a atenção da defesa para o outro lado do campo, abrindo um grande espaço no meio para Kelce receber o passe e ser auxiliado pelos bloqueios da OL. Adam Shaheen pode ganhar ótimas oportunidades com o nosso head coach.

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Gif retirado de dabearsbros.com

 

Outro conceito do playbook de Matt Nagy que é bastante usado são os play actions e as rotas cruzadas, sempre muito importantes na west coast offense. Trubisky já mostrou que é eficaz no play action e somado a ameaça do jogo corrido, é uma forte arma para o ataque. Nesta jogada, o play action deixa o front-7 adversário congelado, atrapalhando o pass rush e o conceito de double move mais corte para o meio abre um grande espaço na secundária e deixa Kelce livre para receber o passe.

Smith to kelce
A rota de Kelce (laranja) com double move que consegue a separação do marcador, aproveitando-se do espaço cedido pelo safety que acompanhou Hill e seu corte para o meio do campo (laranja). Imagem de All-22 tirada por Jeremy Stoltz do http://www.scout.com (Bear Report).

 

Com ideias inovadoras e um estilo de jogo em que Mitch Trubisky já está um tanto acostumado a jogar, Matt Nagy chega dando esperança para a torcida do Bears. Agora o head coach precisará de armas para isso, apesar de já ter algumas peças interessantes como Howard, Cohen e Shaheen, o técnico precisará achar pelo menos um ou dois bons wide receivers que se encaixem no seu estilo de jogo. O Chicago Bears está na posição certa para ter um bom ataque para os próximos anos, sob a tutela do novo comandante.

 

Créditos da imagem destacada: AP Photo/Charles Rex Arbogast